Nossa viagem à Salvador

Sabe aquele lugar que você sempre quis ir e sabia que quando fosse não iria querer voltar? Então, pra mim esse lugar é a Bahia. Hugo já morou em Porto Seguro, sempre me fala de lá, o que aumentava mais ainda minha vontade de visitar esse estado. Hugo também já tinha ido a Salvador, na copa de 1994, tinha apenas sete anos de idade, não tinha muitas lembranças. Então, fomos à Salvador. E senhoras e senhores, que lugar!

Todas as coisas conspiraram para a nossa ida, desde a super promoção de passagens aéreas que saíram por apenas R$380,00 reais para cada um, ida e volta, até o desconto de R$130,00 que conseguimos no Airbnb, além do preço das diárias que ficaram bem baratas, acho que por conta da baixa temporada. Acabou que ficamos em um apartamento super bonitinho no bairro da Graça que atendeu bem as nossas necessidades. Só quando chegamos lá soubemos que era um bairro de classe média alta, o que nos surpreendeu por conta do preço das diárias, pois pagamos apenas R$21,00 por pessoa contando com o desconto. Ou seja, saiu até mais barato que alguns hostels que era o nosso plano inicial pra economizar. Para saber mais sobre como conseguimos esse preço vejam o post que o Hugo fez sobre os descontos do Airbnb.

Além dos lugares históricos maravilhosos e a natureza lindíssima da Bahia, se tiver oportunidade se esforce para conhecer os próprios bahianos, a boa fama que têm de serem atenciosos, simpáticos e carismáticos está totalmente confirmada pra nós. Claro que em poucos dias não deu pra conhecer tanta gente, mas tivemos o prazer de conhecer a Fabrícia (Instagran: @zefa_empoderada), iniciamos contato pelo Instagran e ela prontamente se ofereceu para mostrar a gente alguns lugares da cidade. Logo no primeiro dia fomos com ela ao Parque São Bartolomeu, à Ribeira e é claro na sua maravilhosa sorveteria e à igreja do Senhor do Bonfim.

Fabrícia me explicou que no Parque São Bartolomeu era localizado um dos maiores centros de resistência negra da Bahia em épocas de escravidão: o quilombo do Urubu. Liderado por uma mulher, Zeferina símbolo de luta negra, porém, o quilombo foi desmantelado pelos poderes públicos, o amargo destino da maioria dos quilombos nesse país. Além de ser um lugar com muito verde e uma cachoeira pequena, que fica bem próxima, ao contrários das trilhas que gostaríamos de ter visitado, mas nosso tempo corrido não permitiu.

*Parque São Bartolomeu

Sobre a sorveteria da Ribeira vou confessar que nos surpreendeu, quando muito ouvimos falar por parte dos nossos seguidores no Instagram que seria um destino imperdível e que lá estava o melhor sorvete da Bahia, confesso que subestimamos “Ah é só um sorvete! O que pode ter de tão especial?”. Que tapa na cara! Nossa, que sorvete bom! R$8,00 uma bola, o que me assustou no começo, mas quando peguei o sorvete, uma bola enorme! Fiquei com pena de não termos podido voltar lá mais uma vez. Além do pôr do sol que pegamos bem no finalzinho, mas realmente maravilhoso, merece a fama que tem!



Ficamos apaixonados pelo bairro da Ribeira. Nos pareceu muito tranquilo e aconchegante, as casas muito próximas do mar calmo e cristalino. Nos chamou muita atenção o fato de haverem casas simples e pessoas humildes morando de frente para praia, a comparação com o Rio foi inevitável, onde morar de frente pro mar é privilégio de quem tem muito mais dinheiro do que a média.

* Por do Sol da Ribeira

Infelizmente o horário que conseguimos chegar à igreja do Bonfim estava fechada, mas valeu a pena só de ver a grade cheia de fitinhas amarradas. Me senti privilegiada por poder visitar um lugar de fé como aquele e saber que cada fitinha carrega esperança em algo (para quem não sabe, a cada fitinha amarrada é feito três desejos). Aquele lugar tem uma energia que precisa ser sentida.

* Fitinhas na Igreja do Bonfim

Entre um passeio e outro, no ônibus, conversando com a Fabrícia e trocando informações sobre o Rio e sobre Salvador, lugares considerados “irmãos”, vimos o porquê. É inevitável a comparação em relação às desigualdades, à segregação, ao racismo institucional, nesses passeios de ônibus podemos passar pelos bairros suburbanos e ver as semelhanças que carregam com o subúrbio carioca, como a estrutura das duas cidades é parecida e dividida entre lugares turísticos e privilegiados e os lugares que carregam a realidade da maioria do povo bahiano que não aparece nos cartões postais.

E por falar em ônibus, se você for utilizar os transportes públicos como nós, vale muito a pena fazer o Salvador Card, tem vários pontos espalhados pela cidade que dá pra fazer e recarregar o cartão. O bilhete provisório custa R$ 5, mas optamos por fazer o bilhete identificado que é permanente e gratuito, e como estava sem fila para o cadastro foi bem rápido. E outra coisa: aos domingos a passagem é R$1,85, o rolê fica até melhor né não?! Dêem uma olhada no post que o Hugo fez que dá mais detalhes sobre o assunto.

E assistir o jogo do Brasil na praia do Farol da Barra em plena Copa do Mundo?! Nós queremos mais o que né?! E logo depois do jogo tomar banho na água quentinha desse mar maravilhoso, na piscina natural que se forma entre as pedras na parte lateral da praia. Ai ai! E pra completar, a noite fomos até o Rio Vermelho, lugar também muito indicado pelos nossos seguidores, ótimo centro gastronômico para todos os gostos e bolsos. Comemos o famoso acarajé da Cira que vai ficar na nossa memória gastronômica por um longo tempo. Ele custa R$ 11, um pouquinho mais caro do que a maioria que custa R$10, como o acarajé da Mary no pelourinho que é uma delícia também (e o dela vem com vatapá e caruru), o da Cira tem a opção de vir em um pratinho, o que pode ser mais confortável de comer, ainda mais para quem não está acostumado. Acarajé está no meu top dez de comidas favoritas!

* Acarajé da Cira

E logo em frente ao acarajé da Cira tem um moço que vende um queijo qualho na brasa a R$8,00, um queijo enorme, por sinal! Vem acompanhado com melado e orégano. Não vô nem falar nada desse queijo, vocês tem que comer! E ainda tem o restaurante Salvador Dalí, também no Rio Vermelho, lugar bonito e você pode sentar na varanda que tem uma vista maravilhosa do mar.

Logo no outro dia foi a vez da Ilha da Maré. Pegamos o barquinho próximo à Base Naval, custa R$5,00 reais até a praia, a viagem dura mais ou menos 25 minutos e é bem agradável, até pra mim que costumo enjoar em barcos. A paisagem é linda e o mar geralmente é calmo. Confesso que não sabemos exatamente em que praia ficamos, pois só fomos saber que havia mais de uma praia turística na ilha depois que já tínhamos ido, mas desconfiamos que ficamos em Itamoabo. A praia é bem calma, a faixa de areia não é muito extensa, comemos uma moqueca mista com frutos do mar super frescos por R$115,00 que dava tranquilamente para quatro pessoas. A água é cristalina de um azul lindo, dá pra ver os peixinhos e dentre tantos Caribes que este país tem, a Ilha da Maré com certeza é um deles.




Domingo fomos à feira de São Joaquim, e à Santo Antônio Além do Carmo. Olha, vou contar uma coisa, na Bahia o feriado de São João é levado à sério, a maioria das coisas não abrem nesses dias, e nós, do sudeste nem imaginamos né, bobos! Mas demos sorte! Na feira de São Joaquim deu pra pegar ainda as barracas (que são muitas) abertas, já que as lojas estavam fechadas. Deu pra sentir a vibe do lugar. Essa feira é muito popular e é o lugar onde a população de Salvador compra, ao contrário do Mercado Modelo, por exemplo, que é mais direcionado ao turismo, na feira se vê de tudo e com preço muito bom. E tem uma vista linda do mar na parte de trás dela, lá da pra ver os barcos que descarregam frutos do mar para venda

Santo Antônio Além do Carmo é daqueles lugarzinhos que te deixam apaixonadinha. Com cara de cidadezinha de interior é um bairro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico nacional (IPHAN), as fechadas das lojas, casas, pousadas ateliês e restaurantes são mantidas como de origem. Tudo muito colorido e lindo! Como disse, não fomos em um dia tão bom assim, os ateliês de arte e os restaurantes que são muito famosos estavam fechados graças ao feriado, mas pudemos dar um passeio muito tranquilo pelas ruas que estavam vazias. Se for não deixe de visitar o antigo Convento do Carmo, que virou um museu, mas que atualmente só opera como hotel. Sim, nós também ficamos confusos. Achamos que era um museu, mas tivemos a triste/feliz notícia de que o museu estava fechado à 14 anos, mas que agora estava em fase de reformas. Não tivemos a sorte de ir visitá-lo quando já reformado, mas espero que você tenha. Me deixou muito curiosa o cartaz que mostrava algumas das obras sacras famosas que estavam e estarão expostas nele.

Como belos curiosos que somos entramos no hotel pra visitar. Não sabemos como é a visitação, principalmente em alta temporada e nos dias mais cheios (vantagens de termos ido ao bairro em um dia vazio), mas vale a pena visitar se der e puder, um espaço lindo com um toque bem colonial, ainda lembra um pouco um convento, apesar de repaginado.

À noite pudemos experimentar um pouco do São João do Pelourinho com os shows das maravilhosas Lucy Alves e logo depois, Elba Ramalho. Olha, Copa do Mundo e São João em uma mesma viagem é muito privilégio heim!

No nosso ultimo dia de passeio fomos visitar com mais calma a Cidade Baixa e a Cidade Alta, Mercado Modelo, elevador Lacerda e Pelourinho, aproveitamos para assistir à missa na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos que acontece todas as terças- feiras às 18 horas. Uma experiência única! Escutamos falar de sincretismo religioso, inclusive já até li algumas poucas coisas sobre, mas experimentar isso de forma tão clara foi realmente incrível. Ir à igreja Nossa Senhora do Rosário é uma experiência que indico principalmente (mas não exclusivamente, é claro) se você é negro (a). Antes da missa acontecem também pequenas palestras. No dia que fomos tivemos o prazer de escutar a professora Marcia (infelizmente minha péssima memória não me permitiu lembrar o seu sobrenome) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) falar sobre tradição e oralidade negra. Está claro que a igreja além de um espaço de espiritualidade é também um espaço de resistência e troca entre o povo negro. A missa é embalada por cânticos acompanhados por muita percussão e músicas que tocam no coração de quem ainda tem esperança numa sociedade mais justa e igualitária e para aqueles que compartilham de um cotidiano de opressão muito vivenciado pelo povo preto e pobre da Bahia. Além das danças afro que são usadas também como instrumento de louvor e uma série de detalhes que aproximam o catolicismo da cultura e das religiões de matriz africana. Enfim, nem se eu quisesse explicar eu conseguiria. É daqueles acontecimentos que não conseguimos nem filmar e tirar fotos, pois não captaria o momento.

Só tenho mais uma coisa a dizer: Vá à Salvador! Se der, vá mais de uma vez! E se Deus nos permitir, com certeza, voltaremos!

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